Como identificar o autismo em crianças?

Saber diferenciar um atraso no desenvolvimento e sinais de autismo, não é uma tarefa tão fácil. Na maioria das vezes os pais se desesperam, por achar que seu filho não está evoluindo ou se desenvolvendo corretamente. Mas as coisas nem sempre são como esperamos. Existem crianças que demoram um pouco no seu desenvolvimento e também existem aquelas que realmente são autistas.

Para os pais, receber o diagnóstico que seu filho tem autismo é o mesmo que embarcar em uma viagem ao desconhecido. Não pelo fato do transtorno psíquico, mas sim pelo despreparo e muitas vezes falta de informação sobre essa síndrome de disfunção cerebral e cognitiva.

Alguns transtornos ainda não são identificados pelo teste do pezinho ou durante o pré-natal, entre eles vale destacar o Autismo, que só consegue ser notado durante o desenvolvimento da criança, mais precisamente depois dos a partir dos 2 anos.

Mas o que é o autismo?

Segundo o psicólogo, Gabriel Haddad (CRP 16/5965), o autismo é um transtorno mental que se caracteriza por déficits de duas formas diferentes. A primeira são deficiências no desenvolvimento da comunicação e interação social, a outra são os  padrões repetitivos e restritos de comportamento, interesses e atividades.

“Até alguns anos atrás, existiam quatro transtornos do desenvolvimento infantil (em crescente gravidade: Transtorno de Asperger, Transtorno autista “clássico”, Transtorno de Rett e Transtorno desintegrativo infantil). Porém, desde a mais recente versão do DSM-5 (o Manual Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais, produzido pela Associação Americana de Psiquiatria) esses vários transtornos foram unidos num único termo, chamado “Transtorno do Espectro Autista” (TEA), com três níveis de gravidade”, esclarece Gabriel.

Como identificar autismo em crianças pequenas

Observar seu filho com certeza será o primeiro passo para identificar se ele sofre desse transtorno!

Nos primeiros anos de vida do bebê, começam as  tentativas de fala, risadas, os primeiros passos e outras ações típicas da fase de desenvolvimento e crescimento. “Em casos mais graves, é possível perceber primeiros sinais de alerta ainda em bebês, entre 0 a 3 anos, como: ausência de expressões faciais (a criança não sorri ou interage com os pais) ou falta de reatividade a sons”, explica o psicólogo.

Em uma criança autista essas ações são atrasadas, mas, em alguns casos, elas podem ser desenvolvidas. O tratamento junto aos especialistas visa exatamente a busca por essa independência e desenvolvimento de habilidades como a fala, o andar, ir ao banheiro (nos casos mais graves).

Então, fique atento a…

– Dificuldades na fala;

– Bloqueios na forma de expressar ideias e sentimentos;

– Comportamentos e interesses estereotipados (repetitivos ou muito restritos);

– Comportamentos incomuns, como isolamento de outras crianças.

Mas nada de querer diagnosticar seu filho sozinho! O acompanhamento médico e multidisciplinar é primordial para o diagnóstico e também o tratamento.

O tratamento

Ainda não foi encontrada uma causa específica para o autismo. Mas alguns estudos relatam que o transtorno pode ser genético. Não necessariamente os pais de um filho autista sofrem da síndrome, mas em seu DNA existem genes que contribuem para o surgimento desta disfunção em seus descendentes. Outros estudos apontam também que a predisposição para o autismo  está ligada a infecções e mesmo fatores ambientais (como poluição) durante a gestação.

Mesmo não tendo um causa única  para tal transtorno devemos levar em conta que o tratamento de um autista é para vida toda. Sendo que na infância ele é primordial, pois nessa fase o retardo no desenvolvimento pode ser minimizado.

O psicólogo ainda ressalta que o tratamento deve ter como objetivo estimular o desenvolvimento de capacidades como, por exemplo, independência (para utilizar o banheiro, escovar dentes, vestir-se, comer), autocontrole (conseguir comportar-se adequadamente a depender do contexto, saber esperar sua hora), habilidades sociais (responder a perguntas, comunicar algo, apontar algo que deseja, manter contato visual), entre outros.

A participação da família é essencial. E o autismo é um transtorno que demanda muito da família – tanto em termos de tempo, quanto gastos para o tratamento, esse que pode ser auxiliado pelo governo, e por fim energia – os pais vão precisar de muita orientação profissional para lidar corretamente com os filhos: como dosar o carinho e a atenção sem deixar de promover a independência e dar limites claros. É um exercício diário de tolerância e criatividade para lidar de forma saudável com os vários desafios que inevitavelmente vão surgir.

Dica do especialista

“Se você tem um filho autista ou suspeita que seu filho possa ser autista – o primeiro e mais importante passo é procurar um profissional de Psicologia que seja especializado no tratamento do espectro autista. Esse profissional, juntamente com um psiquiatra, será capaz de realizar um diagnóstico correto e orientar quanto à condução do tratamento mais eficaz para o caso específico. Sugiro que procurem profissionais que tem conhecimento do método ABA – Applied Behavior Analysis (análise aplicada do comportamento), um método de modificação comportamental que tem sido largamente utilizada no tratamento do autismo, com ótimos resultados”, finaliza o especialista.

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